quinta-feira, 8 de junho de 2017

♥ E SE POR UM INSTANTE



Em apenas um instante, em uma pequena parcela de tempo, podemos mudar o resultado das injustiças que são cometidas contra nós todos os dias.

E se por um instante controlássemos o nosso ego e fôssemos à procura de novos amigos?
E se por um instante abandonássemos por completo todo o mal?
E se por um instante falássemos apenas uma língua?
E se por um instante dominássemos as nossas emoções mais violentas?
E se por um instante toda disciplina se transformasse em um gesto de amor e carinho?
E se por um instante, abandonássemos as nossas diferenças?

E se por um instante a compaixão prevalecesse para com os inocentes?
E se por um instante a nossa honestidade sufocasse as nossas maiores tentações?
E se por um instante meninas e meninos não precisassem vender os seus corpos?
E se por um instante, disséssemos apenas verdade?

E se por um instante os nossos filhos olhassem em nossos olhos para nos ouvir?
E se por um instante as brincadeiras e o bem estar fossem mais alucinógenos do que as drogas?
E se por um instante, voltássemos a ser uma grande família?

E se por um instante acordássemos no meio da noite sem uma notícia ruim?
E se por um instante todos os nossos pesadelos se transformassem nos sonhos mais lindos?
E se por um instante você pensasse diferente de todos?

E se por um instante, os cercados caíssem ao nosso redor?


E se por um instante você apenas se perguntasse:


“E se por um instante eu fizesse o meu mundo melhor?”


♥ A ÁGUIA QUE NUNCA VOOU



Em uma caverna ao norte da Sibéria existia uma águia que nunca aprendera a voar de verdade.
Desde pequena foi aconselhada por sua mãe a não arriscar-se penhasco abaixo.
“Águia, você não pode voar porque os picos altos e íngremes querem o seu sangue”, dizia a mamãe águia.
Um dia a mamãe águia sentiu a ausência da filha.
Notou que a pequena águia estava batendo as asas insistentemente.
 “Minha filha. Aventurar-se no voo pode te matar. Feche estas asas”, disse a mãe.
Passou-se um determinado tempo, e a pequena águia estava brincando com um rato.
Ela bicava e rodopiava o rato no ar.
Sua mãe a repreendeu:
“Águia, você não pode caçar porque lá fora tudo é perigoso e hostil. Animais maiores do que você podem lhe devorar! Aqui dentro você está protegida, aquecida e segura”.
Dentro da caverna a pequena águia começou a dar pequenos voos entre uma pedra e outra, quando se chocou contra a parede.
Sua mãe com voz séria e áspera disse:
“Percebeu minha filha? O chão é o lugar mais seguro onde você deve estar. As suas asas não significam absolutamente nada. Esqueça-se delas”.
A pequena águia foi dormir pensando naquelas palavras.
No fundo da caverna havia restos de antigas ossadas de animais.
A pequena águia começou a arrancar as fibras da carne colada ao osso.
Sua mãe disse:
“Filha, largue, isso! O seu alimento precisa ser doce e macio. Tome isso, coma-o. Aproveite que está quente”.
Satisfeita após a refeição foi brincar de agarrar a sua mãe pelo pescoço.
“Minha filha, você está me machucando. Apare estas garras. Elas podem lhe ferir ou machucar outros”, respondia a sua mãe em sinal de repreensão.
E assim a pequena águia foi crescendo, e sua mamãe, a pessoa que ela mais confiava dizia-lhe:
“Águia, vá até a ponta da caverna, ou até o alto do ninho, mas jamais pense em pular. São mais de dois mil metros”.
“Águia, deixe o trabalho pesado para os animais ruminantes”.
“Águia, deixe a luta para as feras que estão em terra”.
“Águia, você nasceu para ser a melhor guardiã dessa caverna. Nunca saia daqui”.
“Águia, o que for que pensardes em fazer saiba que alguém já fez antes que você. Não se desgaste. Não vale a pena”.
“Águia, a vida passa mais rápido que você possa acompanhar, e um lugar melhor está para surgir e mudar tudo para melhor. Apenas tenha fé”.
Depois de um tempo a pequena águia crescida começou a adoecer.
A mamãe águia ficou muito preocupada, porque não queria ver a sua filha naquela situação.
Para não deixar a filha chateada passou a dar vários incentivos à mesma.
“Águia, não se preocupe com suas penas que estão caindo. São apenas transformações ocorrendo em seu corpo e mostrando como você é de verdade”.
“Águia, o seu bico está amolecendo. Coma coisas ainda mais macias e doces para preservar este bico”.
“Águia, os seus pés ficaram lindos sem as garras. Estão suaves e macios”.
“Águia, a sua pele é rosada semelhante a uma linda rosa”.
“Águia, você engordou. Parabéns, está se alimentando bem”.
Sua filha não entendia porque só devia andar, ficar deitada, comer, dormir e nunca sair daquele local.
Sua mãe lhe disse meigamente:
“Minha filha, não se preocupe do porque viemos parar num local alto como esse. Na realidade as águas do mar baixaram e não deu tempo de sairmos porque ainda não havíamos nascido”.
“Filha, você é minha fiel parceira. Todos estes anos nossa amizade foi muito verdadeira”.
Com isso a saúde dela foi piorando ainda mais. E novamente sua mãe a tranquilizava.
“Filha, a sua respiração está diminuindo. Isso é bom. Significa que você está sobrevivendo com menos oxigênio neste lugar inóspito”.
“Filha, os seus olhos estão permanecendo mais fechados. É indício de que você precisa dormir. Aproveite e descanse mais um pouco”.
Até que um dia a mamãe águia chamou:
“Filha, filha, acorde!”
Nenhuma voz, nenhuma respiração, nada, apenas o silêncio e o vento batendo na entrada da caverna.
Sua mãe achou muito estranho as razões e os motivos dela não estar acordando, quando bateu o desespero e gritou do alto daquela caverna naquele local deserto:
“Não me deixe, filha!”
“Não entendo o que deu errado!”
“Você tinha tudo, amor, carinho, proteção, segurança, lições de vida, orientação e disciplina. Tudo isso só lhe fazia bem”.
“Aonde eu errei?”
“Como pôde ter feito isso comigo?”
“Cuidei tanto de você”.
Neste momento um pedaço de cristal liso como um espelho despencou do alto da caverna e caiu em pé, ficando de frente com a mamãe águia.
Ao olhar para o reflexo no espelho, ela se deu conta de que não era uma águia, mas uma salamandra, sem penas, sem asas, sem bico e sem garras.
Assim a mamãe salamandra chorou a perda daquela que ela achou que era a sua filha e num sinal de arrependimento profundo pulou daquela caverna.
Chocou-se lá em baixo e foi rapidamente tragada pela luz do sol.

Você permite que outros o boicotem?

Esse é o fim dos que se deixam levar pela opinião de outros, ou daqueles que querem manipular outros.
Quantas vezes as ideias daquela águia foram descartadas pela salamandra.
As duas se enganavam.
Enganavam a si mesmas.
Quantas vezes aquela águia foi aconselhada pela salamandra que pensava no melhor dela, sendo que aqueles conselhos traziam apenas males.
Afinal, o melhor da salamandra não era o melhor para a águia.
Uma grande águia morreu porque se comportou como uma salamandra.
Aquela pequena águia nunca havia voado de verdade.
Nunca havia caçado.
Não cresceu moralmente.
Não descobriu o mundo em sua volta porque a visão dela era tão limitada ou míope quanto aquela que ela achou que era a sua verdadeira mãe.
Quantas vezes pessoas tentam lhe condicionar a achar que tudo só tem uma única ótica, um único ponto de vista, uma única explicação?
Quantas vezes as pessoas querem tirar de você os sonhos e a sua potencialidade?
Quantas estão desacreditadas e querem que você se sinta assim?
A sua mãe pode ser o seu superior, o seu trabalho, a sua religião, as pessoas com quem você convive.
É claro que eles querem o seu melhor, mas isso é para o seu bem?
Se descobrir que não, pergunte-se:
Acredito no poder de minhas asas?
Acredito na força de minhas garras?
Tenho confiança em meu bico?
Então o que eu estou esperando?
Voe, voe, voe!
Pule do ninho!
Saia da caverna!
O mundo lhe espera.
Pessoas querem lhe conhecer.
Trocar experiências com você.
Não desperdice as oportunidades.
Você nasceu para vencer, nunca deixe de acreditar nisso.
Descubra quem você é, o que você é de verdade, e não o que as pessoas querem que você seja.
A sua fonte de inspiração precisa lhe empurrar para frente, para o seu melhor, sempre.

♥ POÇO SECO



Existia uma aldeia no meio do deserto.
Nesta aldeia morava um homem de bom coração. 
Ele possuía em sua propriedade um poço de cem anos.
Esse poço pertencia aos seus pais que deixaram à ele de herança. 
Sua casa era muito frequentada. 
Carismático, amigo de todas as horas, sempre vinha em defesa de todos os que moravam naquela aldeia, em especial, a favor dos mais fracos e oprimidos.
Ele era muito procurado para aconselhamento, visto que era imparcial em seus julgamentos. 
Uma pessoa muito querida, educada e amorosa.
Água não faltava àquela aldeia, graças aquele poço. 
Mas, certo dia, um fenômeno estranho começou a ocorrer naquele poço. 
A água começou a baixar. 
Imediatamente o bom homem reuniu todos os maiorais daquelas famílias para discutirem o problema. 
Não chegaram a nenhuma conclusão que explicasse aquele fenômeno, mas acreditavam fortemente que aquilo poderia ser uma provação passageira. 
A água continuava a baixar.
Resolveram fazer uma festa agradecendo pela água que ainda restava, acreditando que ela voltaria. 
Tranquilizaram a aldeia, foram até a cidade grande.
Trouxeram de lá bandeirinhas, balões, enfeites, até mesmo uma piscina de bolinhas, algodão doce e cama elástica.
Resolveram pegar parte das economias e usar na compra de Smartphones, Tablets, Ipod, e construíram um site a fim de se modernizarem e acompanharem em tempo real a situação daquele poço.
Fizeram coral, criaram uma TV ao vivo, em pleno deserto, para que tudo fosse usado para tranquilizar aquela aldeia. 
Mas a água continuava baixando, e a tensão só aumentando.
Como sinal de desespero, todos resolveram ajoelhar-se no dia do centenário daquele poço, e com os braços esticados clamavam por ajuda. 
Naquela noite choveu.
No dia seguinte todos estavam felizes, agradecendo por aquele milagre. 
Passado algum tempo, a água do poço secou.
Aquele bom homem saiu a procura das outras famílias que tomaram da água daquele poço. 
Pediu à cada um deles um copo com água, visto que a sua família estava em necessidade.
Estupefato, ele viu portas se fecharem, pessoas o ignorarem, e outros se desviarem dele. 
Mas ele não acreditava no que estava acontecendo.
Voltou ao poço, pegou uma corda e desceu até o fundo dele. 
Examinou cada tijolo, pedra, areia e terra dentro daquele poço.
Resolveu então cavar mais alguns metros para ver se poderia encontrar água. 
Tentou convencer outros a ajudá-lo, mas não houve quem sequer lhe desse as mãos.
Sua situação ficou desesperadora, ao ponto de acordar cedo todos os dias e a primeira coisa a fazer, entrar no poço e sentar-se no fundo dele, sonhando com o dia em que aquele poço voltaria a dar água.
Estava tão concentrado naquilo que deixou de se alimentar. 
Todos foram deixando aquela aldeia, inclusive a sua família.
Sozinho, fraco e sonhando com a volta daquela água, em um determinado dia, ao tentar escalar o poço como fazia sempre, desde que a água começou a faltar, não teve forças. 
Sua voz estava fraca, ninguém poderia ouvir seu pedido de socorro.
Naquele mesmo dia ele morreu, dentro do mesmo poço que em épocas anteriores lhe proporcionou muitas alegrias.
Morreu dentro do mesmo poço que havia sido a principal fonte de alegria e exultação daquela aldeia, onde famílias festejavam suas amizades.
Esse é o destino daqueles que possuem o dom de amar, mas que não estão preparados para mudanças. 
Sábio é aquele que vai cavar outro poço para fornecer-lhe água quando a água do poço anterior vai começando a baixar.
Identificar a solução do problema e não somente a causa, antes que não exista mais nenhuma alternativa a não ser aceitar o que a vida lhe trouxer.
Isso é o que diferencia os fanáticos dos que são fiéis. 
O fanático não muda as suas ações.
O fiel se apega aos seus princípios, mas ajusta-se a realidade de novos tempos.
Mude enquanto há tempo para mudar.