quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

♥ A OUTRA PORTA



O ser humano precisa entender que se reagirmos a certas situações com raiva, orgulho, só estaremos fazendo mal a nós mesmos.

Talvez isso já tenha acontecido com você, pois é uma cena muito comum em estacionamentos de shoppings e condomínios.

Você chega para apanhar o carro, geralmente com pressa, mas outro veículo está estacionado bem ao lado do seu, impedindo você de abrir a porta e entrar no carro.

O que fazer, então?

Xingar, chamar o irresponsável e dizer-lhe umas verdades, brigar com o porteiro, com o síndico, ou chutar os pneus do veículo infrator...

Essas talvez sejam as atitudes mais comuns. 


Mas será que resolvem o problema?

Ou será que acabam azedando ainda mais o seu dia e provocando um atraso maior aos seus compromissos?

Embora para muitos de nós as reações violentas sejam as que brotam mais facilmente, é importante pensar em soluções, em vez de nos debater e piorar a situação.

Indignados com o motorista descuidado que bloqueou a porta do nosso veículo, provocamos uma guerra de nervos.

Mas uma guerra que acaba só com os nossos próprios nervos, pois o infrator talvez esteja dormindo, fazendo suas compras calmamente...

Nesse caso, não seria melhor pensar um pouco e buscar uma solução para o problema?

Quando desejamos solucionar o problema em vez de encontrar e punir o culpado, nós acharemos outra saída, ou melhor, outra entrada...

Há uma porta do outro lado do veículo, a porta do passageiro. 


Que tal entrar por ela? 

Dá um pouco de trabalho, mas dá certo.

Seria uma solução inteligente. 


Resolveríamos o problema e pouparíamos os nossos nervos.

Figuradamente, em todas as situações da vida há sempre uma outra porta, uma outra janela, uma outra saída...

Basta que desejemos encontrar soluções e não culpados.

O que geralmente nos paralisa e nos embrutece diante de situações difíceis, é o orgulho.

O orgulho é sempre um mau conselheiro, em todas as circunstâncias.

O orgulho sempre sugere que isso não pode ficar assim, que é preciso dar uma lição no responsável pelo problema, que é preciso revidar, tomar satisfação, brigar.

Já a sabedoria aconselha: saia dessa, busque a outra porta, não vale a pena declarar guerra, você também erra, e quando isso acontece você deseja o perdão e a indulgência.

A sabedoria diz: vá em frente, não detenha o passo. 


A sua irritação não solucionará problema algum. 

Aja com inteligência, não reaja. 

A reação é própria dos irracionais.

Optar entre os conselhos do orgulho ou os da sabedoria, cabe exclusivamente a você, e a ninguém mais.

Assim, lembre-se sempre que tornar as coisas mais difíceis ou facilitá-las, é uma decisão sua. Só sua.

E facilitar pode ser exatamente dirigir-se à outra porta, abri-la, entrar, dar partida e tocar em frente, sem irritação, nem aborrecimentos desnecessários.

Os rios, caudalosos ou não, diante dos obstáculos desviam seu curso, superam barreiras e seguem seu caminho, levando em seu leito inúmeros benefícios por onde passam.

Você, mais do que os rios, traz em sua intimidade mil maneiras de contornar obstáculos e solucionar problemas, com sabedoria.

Se a vida lhe impede de entrar por uma porta, abra outra. 


Contorne os obstáculos, vença os desafios. 

Você é capaz.

Pense nisso!

♥ A RÃ E O ESCORPIÃO



Existem certas atitudes que são da natureza das pessoas. 

Algumas atitudes são passíveis de compreensão outras podem ser de natureza grave.

Existe uma história, contada à muitos anos que dizia:

Era uma vez um escorpião que se deparou com um rio... precisava se deslocar para a outra margem, mas não tinha como, não sabia nadar. 


Encontrou uma rã, à qual decidiu pedir ajuda: 

- Podes transportar-me até à outra margem?? preciso de lá chegar!. 

A rã responde: 

- mas tu és um escorpião, como posso confiar em ti? 

O escorpião responde: 

- Podes confiar, nada te acontecerá, preciso de ti para chegar à outra margem.

A rã decidiu confiar e o escorpião saltou para as suas costas e lá foram para a outra margem. 


A meio da viagem o escorpião espeta a sua cauda na rã. 

A rã pergunta: 

- Porque fizeste isto? 

O escorpião responde: 

- Está na minha natureza, sou assim... agora morremos os dois.

Quantas vezes conhecemos pessoas assim como o escorpião que estão atrás de nós só por interesse ou o que é pior não podem ser humanas o suficiente para retribuir uma ajuda e preferem denegrir o outro. 


Pois bem, que possamos refletir se somos a rã ou o escorpião e mudar aquilo que precisamos.

♥ A CORAGEM E O MEDO



Se você acredita que uma pessoa corajosa não sente medo, está totalmente enganado. 

Não busque a sua coragem na ousadia de não sentir medo de nada neste mundo, mas na sua capacidade de superar o que o aterroriza e é capaz de paralisá-lo.

Não podemos esquecer que o medo é uma força muito poderosa e muitas pessoas agem pelo medo de perder tudo o que possuem. 


Por isso é muito importante estar sempre atento, porque a vida nos oferece muitas oportunidades e precisamos ter coragem para enfrentar tudo que é desconhecido ou assustador.

A força do medo

O medo é assustador; é um sentimento capaz de nos acovardar. 


É uma força poderosa que nos torna incapazes de reagir, por medo do que os outros vão dizer, do que pode acontecer, de quanto posso perder e do que farão comigo.

No entanto, grandes nomes ao longo da história foram capazes de enfrentar seus medos mais íntimos e mostrar a coragem de seguir em frente, apesar de terem muito a perder e arriscarem a sua própria vida nesse processo.

A coragem de enfrentar os seus medos

Para viver bem, precisamos superar nossos temores. 


No entanto, só existe uma forma de superar os medos: a coragem para enfrentá-los. 

Somente uma pessoa que é capaz de “olhar os seus medos de frente” e superá-los consegue ser feliz.

Não podemos acreditar que algumas pessoas não sentem medo. 


É um sentimento natural, inerente aos seres humanos, e todos nós em algum momento da vida sentimos medo de algo. 

A pessoa corajosa não é aquela que não conhece o medo, mas aquela que o supera.

“Às vezes você não percebe as suas próprias forças até que enfrenta sua maior fraqueza”.
-Susan Gale-

Portanto, quando observamos pessoas enfrentando a vida com coragem, não quer dizer que elas não sintam medo, mas que estão superando os seus temores, olhando-os de frente para alcançar os seus objetivos.

Medos cotidianos

Atualmente enfrentamos muitos medos; alguns são reais, outros imaginários. 


Quem não tem medo de perder o emprego? 

Quem não tem medo de que algo ruim aconteça com um ente querido? 

Quem não sente pânico na hora de falar algo, por temer as consequências?

A sociedade nos impõe uma série de medos através de mensagens do dia a dia, dos meios de comunicação, das conversas em uma mesa de bar ou dos discursos acalorados. 


Tudo isso nos faz esquecer a nossa coragem e nos acovardamos.

Apenas superando todos os tipos de medo você se sentirá bem consigo mesmo. 


Dessa forma, será a pessoa que sempre sonhou e a que realmente é, poderá visualizar alguma felicidade na vida, enfrentando os temores noturnos e a imobilidade.

O que realmente devemos temer é a incapacidade de superar os medos que prendem a nossa alma e nos impedem de viver com liberdade, perder a paixão pelo que fazemos e o entusiasmo pela vida, a falta de coragem para superar o fracasso e a adversidade; isso é realmente assustador.

Não deixe a sua coragem guardada na gaveta a cada manhã quando você acorda. 


Lembre-se de que a sua vida é preciosa, sua voz merece ser ouvida e a sua coragem o define como pessoa. 

Portanto, esqueça os medos, enfrente a vida de cabeça erguida para demonstrar seu orgulho e força.

Use toda a sua coragem para enfrentar os medos, pois não existe temor maior do que não poder enfrentar os seus problemas, não ser você mesmo a cada minuto que passa e não encontrar coragem para derrotar os medos.

♥ OS TROPEÇOS NOS ENSINAM




Tropeçar não é ruim, apaixonar-se pela pedra sim. 

De qualquer forma, ainda bem que existem as pedras. 

Somos humanos e nada nos define tão bem quanto a nossa capacidade de superar as dificuldades e os tropeços.

Nós enfrentamos a vida lentamente, “respirando fundo”, pedindo mais e contanto até três. 

Mesmo nos momentos difíceis somos capazes de fazer do medo um escudo de coragem.

Coragem para viver a sua vida plenamente, recuperar o fôlego, dar-se um tempo e recomeçar. 

Temos o direito de parar e escolher novos caminhos.

O que aprendemos com os tropeços

A vida é um bom professor, de tal forma que se não aprendermos a lição, ela a repete. 

Por essa razão, muitas vezes ficamos desesperados, frustrados e parece que nada está dando certo. 

Não existem manuais de sobrevivência, aprendemos a viver quando o fogo toca a nossa pele.

Com o tempo, aprendemos a gerir a nossa vida e quais caminhos escolher. 

Jorge Luis Borges escreveu este belo texto que exemplifica tudo o que aprendemos “praticando a vida”, tropeçando e levantando mil vezes.

“Com o tempo aprendi a sutil diferença que há entre pegar na mão de alguém e acorrentar uma alma. Com o tempo aprendi que o amor não significa se apoiar em alguém e que companhia não significa segurança.

Com o tempo…comecei a entender que os beijos não são contratos e os presentes não são promessas.

Com o tempo aprendi que estar com alguém porque esse alguém oferece a você um bom futuro significa que cedo ou tarde você vai querer voltar para o passado. Com o tempo… a gente se dá conta de que se casar só porque “já passou da hora” é uma clara advertência de que seu casamento será um fracasso.

Com o tempo compreendi que só quem é capaz de lhe amar, com todos os seus defeitos, sem a pretensão de mudar nada, pode lhe presentear com toda a felicidade que você deseja.

Com o tempo você se dá conta de que estar ao lado de alguém só para acompanhar a sua solidão fará com que, irremediavelmente, você acabe não desejando mais vê-la.

Com o tempo entendi que os amigos verdadeiros valem bem mais do que qualquer quantia em dinheiro. Com o tempo entendi que os verdadeiros amigos se contam nos dedos da mão, e se você não lutar por eles, cedo ou tarde, estará rodeado de falsas amizades.

Com o tempo aprendi que as palavras ditas em um momento de ira podem fazer chorar a quem se feriu por toda uma vida. Com o tempo aprendi que qualquer um desculpa, mas perdoar é só para as grandes almas…

Com o tempo compreendi que se você ferir duramente a um amigo, muito provavelmente a amizade jamais voltará a ser igual. Com o tempo você se dá conta de que, ainda que seja feliz com seus amigos atuais, algum dia chorará por aqueles que você perdeu. Com o tempo você se dá conta de que cada experiência vivida, com cada pessoa, é única.

Com o tempo você se dá conta de que humilhar ou desprezar um outro ser humano, cedo ou tarde, fará você sofrer as mesmas humilhações ou desprezos, multiplicados por dois.

Com o tempo aprendi a construir todos os meus caminhos no hoje, porque o terreno do amanhã é muito incerto para fazer planos.

Com o tempo compreendi que apressar as coisas ou forçar que elas aconteçam acabará por fazer com que elas não saiam como esperadas.

Com o tempo você se dá conta de que o melhor não era o futuro, mas sim o momento que está vivendo bem nesse instante.

Com o tempo você verá que, ainda que seja feliz com os que estão ao seu lado, sentirá falta dos que ontem estavam com você, mas que já se foram.

Com o tempo aprendi que tentar perdoar ou pedir perdão, dizer que ama, dizer que sente saudades, dizer que precisa, dizer que quer ser amigo…. diante do túmulo… já não faz mais nenhum sentido…

Mas, infelizmente…isso tudo só aprendemos com o tempo”.

Amadurecemos mais com o sofrimento do que com o passar dos anos

Não é o tempo que nos faz entender que as derrotas devem ser encaradas de frente e que é preciso sentir orgulho de nós mesmos. 

São os sofrimentos e as pontadas no estômago que nos fazem crescer e seguir em frente.

Com o sofrimento aprendemos a resistir ao que nos aprisiona, a lutar contra os nossos preconceitos, deixar de lado o desejo de desistir, a parar de se queixar, a conversar consigo mesmo, entender a inveja, livrar-se dos modismos e descansar.

Quando tropeçamos e sofremos, percebemos que tudo passa, tudo muda. 

E por mais paradoxal que pareça, o momento em que começamos a mudar coincide com aquele em que começamos a nos aceitar como realmente somos.


♥ O TEMPO




Nós já ouvimos centenas de vezes que “o tempo coloca tudo no seu devido lugar”, mas será que é isso mesmo?
Desejamos que isso realmente aconteça, que a vida se encarregue de punir aquelas pessoas que causam sofrimentos e que nos recompense pelas nossas boas ações.

No entanto, não podemos dizer que isto é falso ou verdadeiro, porque os projetos do destino estão além da nossa compreensão. O que acontece na verdade é que esse ditado é mal compreendido.

Não somos justiceiros e não podemos esperar que as coisas aconteçam por inspiração divina. Na realidade, não vamos sofrer as consequências dos nossos atos, mas não podemos evitar que nossas ações identifiquem a nossa história de vida. A vida nos oferece a oportunidade de refletir, corrigir os erros e seguir em frente.

Eu me pergunto se eu mudei à noite. Deixe-me pensar: eu era a mesma pessoa quando me levantei hoje de manhã? Acho que estava um pouco diferente. Mas se não sou a mesma, quem sou eu? Ah, esse é o grande enigma”!

Se existisse olho por olho, o mundo estaria cego

A vida segue seu rumo, embora nem sempre seja da forma que desejamos ou esperamos. O tempo não tem pressa; é um juiz sábio que não julga imediatamente.

Quando não gostamos de alguma coisa ou sofremos alguma injustiça, recorremos à ideia do “destino como justiceiro“. No entanto, isso é só uma maneira de fechar os olhos, para não ver o que não podemos controlar.

Esse tipo de comportamento nos tranquiliza e acreditamos que nossa felicidade não corre perigo. Digamos que acreditar em um mundo justo é uma espécie de autoengano que nos leva a ignorar tudo o que nos incomoda.

Em todo caso, existem pessoas maldosas que gostaríamos que recebessem o castigo que merecem, por isso fantasiamos essa ideia de que o mundo é justo.

Precisamos e gostamos de acreditar nisso para vivermos com tranquilidade. Nossa mente precisa acreditar que podemos controlar tudo, mas na verdade só podemos controlar uma pequena parte das nossas experiências.

Não podemos esperar que coisas boas aconteçam se não agirmos nesse sentido. O que é realmente eficaz é “suar a camisa”, para ter chances de ganhar uma concorrência. Mas, mesmo assim não temos a garantia de nada, nem mesmo sorte.

O que fiz para merecer isto?

Muitas vezes não é justo o que acontece conosco, mas essa ideia de igualdade só existe na nossa mente. Isso não é ruim, na medida em que nos ajuda a nos proteger e a organizar nosso mundo interno.

Seria muito difícil viver sem medo, sem pensar nas desgraças que podem acontecer e sem enfrentar dificuldades. O importante é enfrentar e trabalhar contra as injustiças, em vez de adotar uma postura passiva como é a nossa característica.

Precisamos evitar cair na armadilha da vitimização e das queixas; e plantar as sementes que nos permitam equilibrar as forças, da mesma forma que um atleta treina todos os dias para ter uma chance de ganhar a competição.

Ser uma boa pessoa não é garantia de que só aconteçam coisas maravilhosas, assim como ser mau não trará somente desgraças para sua vida. O importante é tentar melhorar a cada dia e se preocupar com o que fazemos com a nossa vida e com a dos demais.

O tempo não tem tudo em suas mãos, nós somos os responsáveis por deixá-lo atuar e organizar o nosso destino. Lembre-se de que as pessoas mais felizes não têm sempre o melhor de tudo, mas sempre veem o lado bom de tudo o que lhes acontece.


segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

♥ COBRAS E VAGALUMES



Era uma vez uma cobra que começou a perseguir um vagalume que só vivia para brilhar.


Ele fugia rápido com medo da feroz predadora e a cobra nem pensava em desistir.


Fugiu um dia e ela não desistia, dois dias e nada…

No terceiro dia, já sem forças o vagalume parou e disse à cobra:


- Posso fazer três perguntas?


-Não costumo abrir esse precedente para ninguém – disse a cobra – mas já que vou te comer mesmo, pode perguntar…


- Pertenço a sua cadeia alimentar?


- Não.


- Te fiz alguma coisa?


- Não.


- Então por que você quer me comer?


- Porque não suporto ver você brilhar.

Cuidado!


Quem tem luz própria incomoda quem esta no escuro.


Teus atributos e o teu sucesso também podem fustigar as “cobras” que estão ao teu redor… 

♥ A MONTANHA DA VIDA




A vida de cada um de nós pode ser comparada à conquista de uma montanha. 


Assim como a vida, ela possui altos e baixos.

Para ser conquistada, deve merecer detalhada observação, a fim de que a chegada ao topo se dê com sucesso.
Todo alpinista sabe que deve ter equipamento apropriado. 


Quanto mais alta a montanha, maiores os cuidados e mais detalhados os preparativos.

No momento da escalada, o início parece ser fácil. 


Quanto mais subimos, mais árduo vai se tornando o caminho.


Chegando a uma primeira etapa, necessitamos de toda a força para prosseguir. 


O importante é perseguir o ideal: chegar ao topo.

À medida que subimos, o panorama que se descortina é maravilhoso. 

As paisagens se desdobram à vista, mostrando-nos o verde intenso das árvores, as rochas pontiagudas desafiando o céu. 


Lá embaixo, as casas dos homens tão pequenas…



É dali, do alto, que percebemos que os nossos problemas, aqueles que já foram superados, são do tamanho daquelas casinhas.

Pode acontecer que um pequeno descuido nos faça perder o equilíbrio e rolamos montanha abaixo. 


Batemos com violência em algum arbusto e podemos ficar presos na frincha de uma pedra.


É aí que precisamos de um amigo para nos auxiliar. 

Podemos estar machucados, feridos ao ponto de não conseguir, por nós mesmos, sair do lugar. 


O amigo vem e nos curam os ferimentos.


Estende-nos as mãos, puxa-nos e nos auxilia a recomeçar a escalada. 


Os pés e as mãos vão se firmando, a corda nos prende ao amigo que nos puxa para a subida.

Na longa jornada, os espaços acima vão sendo conquistados dia a dia.
Por vezes, o ar parece tão rarefeito que sentimos dificuldade para respirar. 


O que nos salva é o equipamento certo para este momento.



Depois vêm as tempestades de neve, os ventos gélidos que são os problemas e as dificuldades que ainda não superamos.

Se escorregamos numa ladeira de incertezas, podemos usar as nossas habilidades para parar e voltar de novo. 


Se cairmos num buraco de falsidade de alguém que estava coberto de neve, sabemos a técnica para nos levantar sem torcer o pé e sem machucar quem esteja por perto.

Para a escalada da montanha da vida, é preciso aprender a subir e descer, cair e levantar, mas voltar sempre com a mesma coragem.

Não desistir nunca de uma nova felicidade, uma nova caminhada, uma nova paisagem, até chegar ao topo da montanha.


♥ A LIÇÃO DA CAVEIRA



“O orgulho dos pequenos consiste em falar sempre de si próprios; o dos grandes em nunca falar de si.” Voltaire 



Um príncipe, orgulhoso de sua realeza, foi certo dia caçar em lugar montanhoso e afastado.


A certa altura de seu caminho, viu um velho eremita, sentado diante de sua gruta, e muito atento a considerar uma caveira que tinha nas mãos.

Indignado por não lhe ter o velho dado a menor atenção, nem sequer levantado os olhos, o príncipe aproximou-se dele e disse-lhe, entre rude e zombeteiro:


- Levanta-te quando por ti passar o teu senhor! 

- Que podes ver de tão interessante nessa pobre caveira, que chegas a te distrair da passagem de um príncipe de tantos poderosos fidalgos?

O sábio, erguendo para ele os olhos mansos, respondeu, em voz singularmente clara e sonora:


 – Perdoa senhor. 

 - Eu estava procurando descobrir se esta caveira tinha pertencido a um mendigo ou a um príncipe, mas não consigo distinguir de quem seja.

- Nestes ossos nada há que me diga se a carne que os revestiu repousou em travesseiros de plumas ou nas pedras das estradas. 


- Eu não saberia dizer se devia levantar-me ou conservar-me sentado diante daquele que em vida foi o dono deste crânio anônimo.


O príncipe, cabeça baixa, prosseguiu o seu caminho, mas a
caçada não teve, naquele dia, qualquer encanto para ele.

A lição da caveira abatera-lhe o orgulho.


Foi através das palavras do sábio que caiu a ficha e ele, o Sr. Príncipe, descobriu que não passava de um ser humano. 

Igual a todos os outros.

♥ COLCHA DE RETALHOS



“Viver é um rasgar-se e remendar-se.” (Guimarães Rosa) 



Em pedaços em pedaço nos tornamos inteiros...



Dos meus problemas, fiz um acolchoado de retalhos. 

Pedaços de dificuldades que me fazem lembrar, 

Da minha capacidade de superar momentos difíceis. 

Vejo pedaços que me lembram fatos, 

Onde eu tinha certeza que não iria resistir, 

Onde eu queria mesmo era morrer, sumir.

Amores perdidos que me fizeram sofrer, 

Mortes inesperadas que me deixaram vazio.

Promessas que não aconteceram.

Doenças, discussões tolas, brigas e desavenças, 

Sonhos que viraram pesadelos.

Um acolchoado triste, pesado, mas cheio de lições importantes.

Cheio das minhas impressões, do que eu era e do que me transformei.

Por isso essa força tamanha, que carrego comigo por onde for.

E se encontro alguém sofrendo pela estrada, 

Tiro da minha colcha um retalhinho, 

Um pouco da minha experiência com a dor.

E mostro carinhosamente o caminho, onde há flores, espinhos e amor.

Peço para a pessoa olhar lá na frente, além do problema e da dificuldade, 

Depois, olhar para dentro de si mesmo, e encontrar a solução para tudo, 

A dor vem dos outros, a decepção também, 

mas a solução está onde sempre deve estar, dentro de você.