segunda-feira, 28 de novembro de 2016

♥ GORJETA




Será que serei sempre um paliativo?

Apenas o caminho e nunca o lugar?

Será que nunca terei a grande chance?

De subir no pódio e gritar "Venci"?

Serei sempre a sombra?

O vulto no escuro, o figurante da novela?

Não tenho eu qualidade para ser o final?

O objetivo?

A conquista?

Terei então que me resignar? 

E colher as latinhas 

Dos saborosos sucos 

Que outros beberam?

Que seja então assim,

Mas quando a conta chegar, 

Quero pagar só a porcentagem da vida que tive, 

Aquela gorjeta que é jogada na mesa, 

Após um fausto jantar...

Que aliás nem comi.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

♥ MOMENTO SEGUINTE


Por piores que pareçam as notícias que envolvem  nossa vida a primeira vista, tendem a tomar um lugar mais confortável na nossa mente e coração com o passar dos dias.

É como se todo o nosso sistema trabalhasse para harmonizar os novos episódios com nossa habilidade de seguir em frente.

É o conhecimento interno dos nossos limites, trabalhando para nossa sobrevivência, com a finalidade de transformar a areia em pérola.

É a nossa vontade de viver fenomenal, que nos faz levantar, encarar os fatos e depois de um tempo, continuar a sorrir.

Que bom que existe o MOMENTO SEGUINTE.

Ele é a corda do nosso reboque, a mangueira do nosso incêndio e bengala para nossa cegueira ou um sussurro do espírito.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

♥ CANSADO



Acordei um pouco cansado. 

Cansado de segurar o choro, de contar as novidades, de sorrir para parecer que está tudo bem. 

Cansado de ser forte.

Dormi nu. 

Tirei as roupas e as máscaras junto com elas, mas precisei de as voltar a colocar pela manhã; umas calças meio rasgadas, uns sapatos confortáveis e um disfarce de pessoa feliz, feliz a tempo inteiro. 

Alguém que tem a obrigação de ser agradável.

Passei a pensar demasiado sobre o mundo. 

Isso é um pouco arriscado porque passamos a entender demais e uma vez desvendadas certas coisas, não dá para voltar atrás. 

Talvez a ignorância seja mesmo uma dádiva, não nos apercebermos da crueldade com que eventualmente o mundo é capaz de nos tratar.

Acordei um pouco cansado das minhas próprias escolhas. 

Apenas por hoje não quero decidir absolutamente nada (açúcar ou adoçante, kizomba ou rock’n roll, bom dia ou foda-se?).




Não quero ser compreendido. 


É só mais uma obrigação que dá imenso trabalho. 

Apenas por hoje, não me vou esforçar para ser amado ou para agradar aos outros. 



Que nada seja dito ou pensado a meu respeito: 

"Hoje só me resta existir".

Acordei um pouco perdido em relação aos smartphones, às pessoas, à confusão urbana que estranhamente se confunde com a minha própria confusão. 

Não vou escolher uma playlist: 

"Toquem o que quiserem". 

Não vou pensar sobre as pessoas: 

"Sejam exatamente o que quiserem". 

Hoje, apenas por hoje, não quero conclusões.

Quero passar despercebido, como numa capa de invisibilidade mágica. 

Quero quase não existir até conseguir ajustar-me a esse medo de ser eternamente desajustado. 

Não quero prazos ou compromissos ou sorrisos ou explicações. 

Apenas por hoje quero coexistir passivamente e sem qualquer indício de indignação. 

A minha alma precisa de férias.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

♥ NÃO VIVA EM VÃO!



No trem da vida a beleza é passageira e o tempo são os trilhos a percorrer. 
O que está presente daqui a pouco, há uma hora ou mesmo um instante, deixará de ser presente para ser no passado, contente lembrança.
Cada dia que nasce é o futuro que hoje se torna presente e amanhã será passado. 
Não deixe um dia passar como um a mais, viva-o intensamente na possibilidade de fazer a diferença.
Sempre vamos, mas nunca voltamos, pois o tempo passa, não volta, não para. 

O tempo nos leva de onde chegamos até aonde vamos, nos trás de onde partimos. 
Todo o tempo às pessoas vem e vão, passam por nossas vidas.
Há pessoas que vem para ficar e outras vão para nunca mais voltar. 
Deixam saudades e vivem lembradas em nossos pensamentos. 
E quem fica, é vivo lembrado no olhar de quem vai. 
Mas continuam sempre presentes por suas lembranças. 
Seu jeito de sorrir, de olhar, de falar, suas manias, um pouco de si em nós.
Pessoas que se tornam marcantes por serem amadas. 
Pessoas que são tocadas pelo vento para morar em outros corações, para encontrar refúgio em outro lugar e até um dia encontrar porto seguro nos braços do seu lugar.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

♥ AS TRÊS SEMENTES



Diz a história que três jovens saíram para trabalhar nas terras de uma homem sábio e muito rico. 

Ele era um bom homem e seu talento para os negócios, principalmente os de lavoura, o fizeram  possuir muitas terras e, por essa razão, em épocas de colheita, recrutava vários jovens das redondezas para lhe auxiliar.
Esse três jovens eram ambiciosos e sonhavam em um dia ser tão rico quanto  esse homem e então, como todos os demais, se puseram a trabalhar para ele nessa temporada.
Após algumas semanas de árduo trabalho, chegou a hora de receber a paga por seus serviços, e lá se vão eles, um a um, acertar as contas com o patrão.
SAM_2492 (1)

















Todos os  jovens receberam dinheiro por seus serviços e se despediram contentes por terem sido bem recompensados por seus esforços. 

Porém, com os três jovens foi diferente. 

O fazendeiro sabia de suas ambições e propôs um pagamento diferente para eles. 

Ele os chamou e entregou a cada um uma pequena semente. 

Os jovens ficaram confusos mas,  tomados por uma mistura de medo, raiva e respeito, se despediram do aparentemente injusto fazendeiro.
No caminho para casa, um dos jovens disse: 

“O que vou fazer com essa estúpida semente? Ela não me serve de nada. Perdi meu tempo trabalhando para esse velho doido”. 

E então arremessou a semente para o meio do mato.
O segundo jovem, também indignado, apanhou a semente de seu bolso e enquanto a mastigava disse: 

“Uma semente dessas não serve nem para matar a fome que estou sentindo”.
O terceiro jovem estava decepcionado demais para falar e apenas colocou a semente em um de seus bolsos e seguiu para casa.
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Na manhã seguinte, esse jovem acordou e pensativo foi para o quintal e decidiu plantar a semente que, com o passar dos dias,  germinou e se transformou em uma planta cheia de frutos com inúmeras outras sementes, justamente na época da colheita do grande fazendeiro. 

Esse jovem então ficou muito feliz pois pode entender o que o velho fazendeiro havia proposto para eles. 

Ele então correu para as terras do velho homem e trabalhou por mais algumas temporadas onde, a cada uma delas recebia suas sementes como pagamento.
Certa manhã, esse jovem acordou para começar uma nova temporada de colheitas. 

Mas dessa vez, não era para o velho e sábio fazendeiro, pois agora, eram suas terras que estavam tão cheias de plantas para serem colhidas que foi preciso chamar alguns jovens para lhe ajudar.
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Como toda boa história traz consigo um ensinamento a  “Moral da história”, essa não será diferente. 

Os três jovens tinham o mesmo sonho e receberam a mesma oportunidade. 

A diferença estava na forma com que cada um percebeu a situação.
O primeiro jovem era imediatista e impaciente, pensava em alcançar o sucesso da noite para o dia. 

Não reconhecendo, menosprezou a semente, fruto de seu trabalho jogando-a fora.
O segundo jovem, por sua vez, estava focado em suas necessidades básicas e como atendê-las de imediato. 

Não pensou sobre o assunto, a não ser na fome que sentia e assim devorou em um instante semanas de seu duro trabalho.
Somente o terceiro jovem pode compreender o que o velho fazendeiro planejara ao dar-lhes as sementes. 

E isso só foi possível pois teve paciência, humildade  perseverança.
E você? O que vai fazer com sua semente?