sexta-feira, 27 de novembro de 2015

♥ Dor na recitação do Daimoku (Nam Myoho Renge Kyo)



Gostaria de oferecer algumas sugestões sobre como trabalhar com a dor na recitação do Daimoku (Nam Myoho Renge Kyo). Uma maneira é não ver a dor como um distúrbio ou como uma distração para a recitação. Assim, a dor torna-se o objeto do Daimoku (Nam Myoho Renge Kyo). Quando a dor está lá, você pode tentar explorá-la, investigá-la e descobrir mais sobre a dor. Na vida cotidiana, quando temos dor, o que fazemos é tentar nos livrarmos da dor, mas fazendo isso nós nunca aprendemos sobre a dor. Então, aqui, quando a dor vier, você deve considerar isso um benefício, pois lhe dará a oportunidade de trabalhar com a dor e compreendê-la. Você pode explorar quando houver dor física, e notar é capaz de observar e trabalhar com a reação à dor. Às vezes é a reação que está criando o sofrimento em relação à dor – por você não querer a dor, considerando a dor como uma perturbação e odiando-a. Ter estas reações pode criar mais sofrimento além da dor em si.

Descobri que, por vezes, a dor pode ter uma razão física, e em outras vezes as tensões e dores podem ser de origem psicológica. Se for de origem física, vocês podem trabalhar com a dor dessa forma por algum tempo e depois mudar a postura.

Todavia, com relação à dor, vocês devem evitar os dois extremos. Um extremo é ficar mimando o corpo, como, por exemplo, mudar a postura imediatamente toda vez que sentir dor ou tentar se livrar dela. O outro extremo é ser muito duro e severo consigo mesmo, como quando se permanece sentado sem mudar a postura mesmo quando há realmente muita dor. Portanto, eu sugeriria descobrir o caminho do meio, onde se aprende a ser amigo e gentil com o corpo, com a dor, evitando ser muito duro e severo com relação a ela, mas ao mesmo tempo sem ficar mimando o corpo. Em termos práticos, isso significa que vocês devem trabalhar com a dor quando sentados, e então, se necessário, mudar a postura.
Se a dor não tem uma razão física, podemos ter de explorar a emoção por trás da dor que está criando a dor. Assim, na recitação do Daimoku (Nam Myoho Renge Kyo), o que estamos tentando fazer não é nos livrarmos da dor, mas aprender a ver (mesmo quando a dor estiver lá) o quanto podemos nos relacionar com a dor sem necessariamente sofrer como resultado.

♥ Jogue fora o estresse



Quando o estresse está presente, o que realmente acontece dentro de nós? 
Há alguma sensação particular que vocês tenham e possam trabalhar dentro do que é chamado estresse? 
Ou isso é sempre relacionado a um pensamento? 
Então, vocês realmente podem explorar isso, investigar isso, descobrir por vocês mesmos o que é isso que chamamos de estresse e o que realmente acontece conosco quando experimentamos o estresse. 
É um exercício muito interessante estar com as sensações, estar com o que quer que esteja acontecendo na sua mente e corpo, sem a palavra estresse; joguem fora a palavra estresse e fiquem apenas com a experiência efetiva, o que estiver acontecendo com vocês. 
Então, eu gostaria que vocês experimentassem com algumas das ferramentas, algumas sugestões que estou oferecendo e descobrissem por si mesmos quais vão lhes ajudar.

Outra ferramenta é tentar estar ciente da recitação do Nam Myoho Renge Kyo. 
Porque como descobrimos, às vezes nossos pensamentos, às vezes o jeito como lidamos com as sensações e assim por diante, pode realmente construir um estresse crescente. 
E isso é interessante, pois a maior parte do estresse é criada por pensamentos sobre o passado ou especialmente sobre o futuro, antecipando a ansiedade, fracasso e por aí vai. 
Então se você puder realmente estar com a realidade do Nam Myoho Renge Kyo, porque isso está acontecendo agora, então você se dá conta de que mesmo nos poucos minutos em que gasta com a recitação, existe um completo reparo de qualquer emoção que você esteve sentindo.

♥ Estejam numa boa, mas não sejam frios



Ter essa qualidade de equanimidade – estar numa boa, mas não ser frio – é extremamente importante quando ajudarmos os outros. Às vezes, ao ajudar os outros, criamos sofrimento para nós mesmos, porque estamos reagindo ao invés de responder. Quando reagimos ao ajudar os outros, ficamos emocionalmente excitados e agitados. Responder é tentar fazer algo mantendo uma mente clara. É importante aprender para responder e não reagir em qualquer situação. Mas, como somos humanos, é possível reagirmos  em vez de respondermos. Nesse caso, podemos refletir: “Por que estou reagindo?” É possível aprender com essa experiência de reagir e espero que, de preferência, lembrem-se de não reagir, mas de responder da próxima vez.

Normalmente reagimos porque somos surpreendidos. Mais uma vez, é humano que nos surpreendamos porque todos nós temos um modelo e expectativas sobre como as coisas deveriam ser. Quando acontece alguma coisa que vai contra esse modelo e nossas expectativas, nos surpreendemos e reagimos. É muito humano ter ideias e modelos, entretanto, quando está reagindo, você pode pelo menos refletir sobre isso. Pergunte-se o que é este modelo, o que é esta expectativa que você tem.

Mas não tenham a ideia: “Não vou reagir”. Porque se tiverem este ideal de não reagir, então quando reagirem estarão a reagir a isso. Quando reagirem, estejam bem com isso e tentem refletir sobre o assunto de um modo gentil e amigável, senão estarão a dar pontos negativos para vocês mesmos. Isso é que é importante. Todos nós cometemos erros. Quando errarmos, tentemos fazer um esforço para não nos darmos pontos negativos a nós mesmos. Mas notem que não nos darmos um ponto negativo não significa que apenas deixaremos tais coisas acontecerem; não devemos ser condescendentes com elas.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

♥ Você tenta agradar aos outros?



Penso que a razão por haver estresse em nossas vidas é a ideia de fazer as coisas perfeitamente. Tememos cometer erros e esse por si só é o motivo de preocupação, de não cometermos nenhum erro; pode também criar muito estresse. Há outro fator talvez relacionado a isso, nós nos tornamos muito conscientes do que outros pensam de nós. Temos dado muito poder a essas pessoas e, às vezes, o que outras pessoas pensam de você pode criar sua própria felicidade ou infelicidade.
Às vezes eu encontro pessoas que estão sempre tentando agradar os outros porque, como eu disse, o que os outros pensam se tornou extremamente importante, e este aspecto de tentar agradar os outros pode criar muita tensão e estresse. Então, o que aconteceu é que, por motivos diferentes, relacionado ao modo de vida moderno, muito estresse e tensão têm sido criados.
Talvez outro fator que me venha à mente é que, com o advento do consumismo e do materialismo no mundo moderno, nos tornamos extremamente dependentes das coisas externas. Devido a essa dependência mais uma vez a nossa felicidade e a nossa infelicidade são dependentes destas coisas externas. Eu gosto de ver isso como o uso de brinquedos. No mundo moderno os seres humanos criaram um grande número de brinquedos para agradarem-se, para excitarem-se, para vencerem seu tédio e solidão. Então, às vezes, é o caso de ainda que troquem de brinquedo não consigam obter qualquer satisfação.
A razão disso é a de que eles têm algo faltando em si mesmos, de tal forma que não importa o que aconteça a eles, o que quer que eles possuam, não é suficiente, algo diferente deveria acontecer. Assim, na maioria das vezes, ou em todas às vezes, as pessoas estão insatisfeitas.
Desta forma, eu vejo a meditação como se estivéssemos aprendendo a ser nossos próprios brinquedos. Assim, se pudermos aprender a realmente apreciar as nossas próprias companhias, se pudermos ser realmente felizes com nós mesmos, se pudermos ser realmente contentes conosco, isso seria um caminho para nos tornarmos independentes dos brinquedos externos. E, desta forma, o estresse pode ser reduzido bastante.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

♥ Três venenos



Por vezes existem pessoas com as quais temos problemas, pode ser o nosso chefe ou alguns dos colegas do trabalho. 
Em casa, pode tratar-se do nosso companheiro, companheira ou dos vizinhos. 
Todos nós temos situações assim na nossa vida quotidiana. 
O maior desafio que enfrentamos é o de nos relacionarmos com pessoas nas quais encontramos defeitos e falhas. 
Numa situação como esta, uma coisa importante é lembrarmo-nos de que não devemos ficar surpreendidos. 
Por que razão ficaríamos surpreendidos? 
Segundo o Budismo, os seres humanos comportam-se deste modo devido aos três venenos, a Avareza, a Ira e a Estupidez, ou seja, a ignorância, não conhecer a realidade ou ignorá-la. 
Todos nós temos estes três venenos em nós.

Quando os vemos em outra pessoa, percebemos: 
“Aquilo que tenho, vejo-o também nesta pessoa”. 
Se conseguirmos compreender realmente esta percepção, conseguiremos sentir compaixão pelas pessoas que revelam as suas fraquezas, a sua humanidade, sem nos zangarmos, sem criarmos uma ferida. 
A nossa reação mais comum é ver essa pessoa como alguém inferior. 
Trata-se de um hábito nosso muito arraigado, e fazemos o mesmo conosco. 
Não vemos a natureza de Buda em nós, quase nos recusamos a ver as qualidades, por isso devemos fazer um esforço especial nesse sentido. 
Nos textos budistas, o Buda se refere frequentemente à importância de refletir nas coisas boas que fizemos. 
Isso pode nos dar uma tremenda confiança, tremenda alegria e também uma considerável clareza e ânimo. 
Com esta perspectiva, relacionamo-nos de uma maneira inteiramente diferente com as fraquezas humanas em nós próprios e nos outros.

♥ Vendo o bem em nós mesmos


A meditação sobre a amorosidade pode nos ajudar a aprender a ver o positivo em nós mesmos. 

Para isso, precisamos conscientemente trazer à tona e refletir sobre nossa bondade e as qualidades positivas que temos. 

Quando vemos o positivo, desenvolvemos respeito próprio, através do qual vemos mais e mais nossa própria bondade e os tipos de coisas que fazemos. 

Acho muito importante que desenvolvamos amor-próprio e autoconfiança porque, com o aspecto autodestrutivo em nós, perdemos a habilidade de nos apreciar.

Ver a bondade em nós mesmos pode criar muita satisfação e felicidade. 

Sinto que isso é muito importante no caminho espiritual. 

Esse é o primeiro passo da amorosidade, usar a meditação da amorosidade com o intuito de gerar muita satisfação e felicidade. 

E, claro, quando você está feliz, isso se torna infeccioso, podendo afetar outras pessoas. 

Mas o primeiro passo é obter essa satisfação, felicidade e leveza. 

O próximo passo é ver os seus sentimentos como impermanentes porque, quando os seguramos, eles podem causar sofrimento. 

É importante perceber que eles não nos pertencem. 

♥ Meditação não é algo que fazemos apenas quando estamos sentados






Mencionarei algumas vantagens, alguns benefícios da prática da atenção. Por exemplo, o que está acontecendo agora? Vocês podem estar presente aqui, mas mentalmente estar em outro lugar. Assim, onde vocês estão? Com a ajuda da atenção, voltem aqui, estejam presentes, sejam conscientes do que está acontecendo bem aqui e agora. Este é um aspecto muito importante da meditação, aprender a experimentar o momento presente e também aprender a estar atento e trabalhar com o passado e o futuro.


Outro aspecto importante da atenção é aprender a usá-la para explorar, investigar o que está acontecendo em nossa mente e corpo a cada momento. Desta forma, em qualquer experiência que tivermos, em qualquer situação que precisarmos enfrentar na vida, poderemos fazer um esforço para aprender com ela, fazer nossas próprias descobertas. Isto é muito, muito importante. E se pudermos aprender a fazer isso, poderemos meditar em qualquer situação. Pode ser uma experiência agradável, pode ser uma experiência desagradável, podemos mesmo aprender a saber mais sobre as experiências desagradáveis que tivermos.

Relacionado a isto está outro aspecto da atenção, aprender a trabalhar com as nossas emoções, especialmente as nossas emoções desagradáveis. Todo mundo aqui tem problemas com essas emoções desagradáveis. Pode ser raiva, pode ser medo, ansiedade ou stress; todos nós temos que lidar com essas emoções. Portanto, uma forma de trabalhar com essas emoções desagradáveis é aprender a ser consciente, apenas aprender a estar consciente dessas emoções, quaisquer que sejam essas emoções. Quando estamos experimentando a raiva, por exemplo, podemos estar conscientes da raiva, podemos estar atentos: agora estou experimentando a raiva? Então, ao invés de suprimir a raiva, ao invés de afastar a raiva, ao invés de negar essa raiva, não se entregando a essa raiva, apenas conhecemos essa raiva, e então aprendemos a trabalhar com ela dentro de nós mesmos.

Portanto, o importante não é a pessoa e nem a situação que está criando a raiva mas, ao invés disso, é lidar com a raiva e com o que está acontecendo dentro de você. Se você conseguir aprender a usar sua conscientização desse modo, então a meditação torna-se uma cura real, uma arte da cura. Assim, nós percebemos que a meditação não é algo que fazemos apenas quando estamos sentados. Dessa maneira podemos aprender a meditar a qualquer momento de nossa vida diária, com consciência na vida cotidiana.

♥ Perdoe a si mesmo e perdoe os outros



Às vezes é difícil perdoar os outros, porque as feridas que carregamos são normalmente criadas por aqueles que estão perto de nós. É muito interessante refletir sobre isso. 
As pessoas que estão distantes não criam feridas: amigos por correspondência nunca desapontam! Apenas os amigos que estão perto de nós. Esse é um aspecto importante de relações estreitas.
Uma maneira de desenvolver esse perdão é percebendo que você é humano e os outros também são humanos. 
Algumas vezes nós nos colocamos em um pedestal e isso pode ser muito irreal, pode ser idealista demais. 
Na cultura ocidental, o modelo usado é frequentemente o modelo de perfeição. 
O que acontece é que você cai deste pedestal de perfeição e, consequentemente, você sofre de culpa e de ódio de si mesmo. 
Você dá a si mesmo um sinal de menos, porque você caiu deste pedestal, porque você não pode viver de acordo com suas próprias expectativas. 
Isso é o que fazemos em relação a outras pessoas também: nós as colocamos em pedestais. 
Em termos budistas isso significa que você quer se comportar como uma pessoa iluminada e você espera isso também das outras pessoas. 
E quando os outros não se comportam como pessoas iluminadas você lhes dá um menos e começa a odiá-las. 
É assim que você cria tantos sofrimentos para si mesmo.
Eu costumo dizer que se cometemos um erro, devemos nos lembrar que estamos exercitando nossa budicidade. 
Esta é uma maneira muito simples e direta de aceitar a nós mesmos, nossa condição humana, nossa imperfeição e de aceitar a imperfeição e condição humana dos outros.

♥ Cometer erros



Um aspecto em que precisamos de usar a bondade amorosa é aprendermos a nos relacionar com as nossas falhas, as nossas fraquezas. Quando cometemos um erro, como nos relacionamos com isso, usando a bondade amorosa? Porque todos somos humanos – e é muito bom que sejamos todos humanos – mas como somos humanos, estamos sujeitos a cometer erros. E, quando cometemos erros, como podemos usar a bondade amorosa numa tal situação? O que fazemos quando cometemos um erro? Damos imediatamente um grande sinal de ‘menos’ para nós?
Então, daqui em diante, quando cometermos um erro, por favor, não vamos nos dar um menos e, não nos dando um menos, podemos começar a refletir. Essa reflexão é um aspecto muito, muito importante da meditação. Enfatizarei isso, introduzindo-a à medida que avançarmos neste retiro.
Relacionando-se consigo mesmo como seu melhor amigo, tem-se um diálogo consigo: “Agora, o que aconteceu com você? O que fez você fazer isso? O que fez você dizer essa palavra?” Você deve fazer essas perguntas de uma forma muito amigável, gentil, amável, de modo a apenas compreender a si mesmo. Então, você aprende a ver aspectos diferentes, diferentes perspectivas para suas ações. Assim, deste modo, é algo muito bonito porque, em vez de sofrermos, em vez de nos punir, em vez de nos sentirmos culpados, vamos aprender com os nossos erros.
Então, por favor, entendam isto: que esta não é uma questão de entregar-se a esse erro. Mas, sim, compreender os nossos erros e, em seguida, aprender com eles, e, assim, efetuar uma espécie de transformação natural a partir deles. Se vocês puderem relacionar-se com seus erros desta forma, vocês nunca os carregarão como feridas, o que pode ser algo muito destrutivo, manter estas feridas, guardar o que aconteceu no passado.
Desta maneira, quando vemos os erros das outras pessoas, quando vemos as falhas nas outras pessoas, então podemos relacionar-nos com elas desta maneira, com entendimento, com bondade amorosa, e isto gera muita compreensão: não ficamos zangados, não desenvolvemos ódio e desenvolvemos cada vez mais compreensão pela natureza humana, seja de qual forma ela surja: na relação conosco, na relação com os outros. Deste modo, aprendemos a perdoar a nós próprios e a perdoar aos outros. Esta é uma maneira poderosa de curar as feridas que carregamos em relação aos nossos erros e em relação aos erros dos outros.

♥ Diante de um desafio, manifeste força interior





Nitiren Daishonin afirmou claramente que a causa básica da infelicidade, em última análise, reside na calúnia contra Lei -- em outras palavras, contra o Nam myoho renge kyo, a Lei fundamental do universo.

Ao mesmo tempo, ensinou que a fé no Nam myoho renge kyo é o caminho direto para a felicidade.

Ele inscreveu o Gohonzon como a entidade suprema para extinguir ofensas passadas e estabelecer um estado de felicidade absoluta.

Quando dedicamos a nossa vida ao Kosen-rufu, com base no Gohonzon, manifestamos infalivelmente aqui e agora o estado de buda.

Não importa quão maravilhoso seja o Gohonzon, se a fé da pessoa for fraca, ela não obterá benefícios.

"Quanto mais forte for a fé da pessoa, maior será a proteção das divindades budistas. Isso significa que a proteção das divindades depende da força da fé da pessoa. O Sutra do Lótus é uma espada excelente, mas sua força depende daquele que a empunha."  (END, v. I, pág 953)

Trata-se de um ensinamento importante, pois ressalta que a força de nossa prática budista é que ativa e extrai os poderes das divindades protetoras.

Mesmo que abrace o Gohonzon, as divindades celestiais não nos protegerão se hesitamos quando surgir um desafio.

Por exemplo, existem aqueles que, ao se depararem com uma doença, se deixam abalar, duvidam do Gohonzon e indagam :

" Como isso pode estar acontecendo comigo se pratico o budismo?"

Todos os seres humanos, porém, estão sujeitos a adoecer.

O propósito do budismo é nos capacitar a enfrentar a doença evocando uma poderosa energia vital, mantendo-nos fiéis e inabaláveis em relação à prática e, desse modo, reunir a força para nos renovarmos e nos revitalizarmos.

Nosso objetivo é sermos invencíveis diante de quaisquer situações que a vida possa apresentar.


Daisaku Ikeda

BS 2298, 07 /11/2015

terça-feira, 24 de novembro de 2015

♥ A Mochila e as Pedras


Um fervoroso devoto estava atravessando uma fase muito penosa de sua vida, com graves problemas de saúde em família e sérias dificuldades financeiras. 
Por isso recitava diariamente para que o livrassem de tamanhas atribulações.

Um dia, enquanto recitava, um 
Mestre Budista lhe apareceu, trazendo-lhe uma mochila e a seguinte mensagem:

"Estou ciente da sua situação e digo para você colocar nesta mochila o máximo de pedras que conseguir, e carregá-la com você, em suas costas, por um ano, sem tirá-la por um instante sequer. E também te digo que, se você fizer isso, no final desse tempo, ao abrir a mochila, terá uma grande alegria." 


E desapareceu, deixando o homem bastante confuso e revoltado.

"Como pode brincar comigo dessa maneira? Eu recito sem cessar, pedindo ajuda, e me manda carregar pedras? Já não me bastam os tormentos e provações que estou vivendo? " 


Pensava o devoto. 

Mas, ao contar para sua mulher a estranha ordem que recebera do Mestre Budista, ela lhe disse que talvez fosse prudente seguir as determinações, e concluiu dizendo:

Quem recita Nam Myoho Renge Kyo sempre sabe o que faz...

O homem estava decidido a não fazer o que o 
Mestre Budista lhe ordenara, mas, por via das dúvidas resolveu cumpri-la em parte, após ouvir a recomendação da sua mulher. 


Assim, colocou duas pedras pequenas, dentro da mochila e carregou-a nas costas por longos doze meses.

Findo esse tempo, na data marcada, mal se contendo de tanta curiosidade, abriu a mochila conforme as ordens do 
Mestre Budista e descobriu que as duas pedras que carregara nas costas por um ano inteiro tinham se transformado em pepitas de ouro, apenas duas pequenas pepitas.

Todos os episódios que vivemos na vida, inclusive os piores e mais duros de se suportar, são sempre extraordinárias e maravilhosas fontes de crescimento.

Temendo a dor, a maioria se recusa a enfrentar desafios, a partir para novas direções, a sair do lugar comum, da mesmice de sempre.

Temendo o peso e o cansaço, a maioria faz tudo para evitar situações novas, embaraçosas, que envolvam qualquer tipo de conflito.

Mas aqueles que encaram para valer as situações que a vida propõe, aqueles que resolvem "carregar as pedras", ao invés de evitá-las, negá-las ou esquivar-se delas, esses alcançam a plenitude do viver e transformam, com o tempo, o peso das pedras que transportaram em peso de sabedoria.

Como está sua mochila?